UM PROJETO QUE UNE RÁDIO E EDUCAÇÃO QUEBRA O ISOLAMENTO DE ESCOLAS NA AMAZÔNIA

Uma tecnologia social que une educação e comunicação já beneficiou, nos últimos dez anos, mais de 30 mil crianças e adolescentes em idade escolar nas regiões próximas a Santarém, no Pará. O Programa Rádio Pela Educação (PRPE) é uma realização da Diocese de Santarém, através da Rádio Rural. O programa foi escolhido como um dos 24 finalistas do prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologias Sociais. O resultado do prêmio será anunciado no dia 24 de novembro quando serão escolhidos os oito melhores projetos.

Atualmente, o programa é realizado em parceria com as Secretarias Municipais de Educação de Santarém e Juruti. Conta, ainda, com a participação de escolas do município de Belterra. Além do conteúdo pedagógico do programa, que é trabalhado pelos professores em sala de aula, há também a instalação de equipamentos de som nas escolas que permitem uma rádio interna. A iniciativa estimula os alunos a elaborar conteúdos e ter contato com a produção do rádio na própria escola desenvolvendo programas a partir de cada realidade local.

A ação educativa a partir do programa de rádio Para Ouvir e Aprender chega às escolas espalhadas na região, através de radinhos à pilha ou à energia elétrica, tanto das zonas urbanas quanto das zonas rurais dos municípios envolvidos. Atinge comunidades distantes e isoladas da Amazônia onde o barco ainda é o principal meio de transporte. Neste cenário de isolamento, o programa de rádio é o principal meio utilizado pelos professores para tratar de temas como o incentivo à leitura e à escrita, a educação ambiental, os direitos da criança e do adolescente, entre outros. Os educadores desenvolvem as atividades pedagógicas considerando os conteúdos que também se encontram em um Guia Pedagógico, produzido pela equipe do PRPE em parceria com a Universidade Federal do Pará.

O Projeto já envolve cerca de 1.200 professores e professoras. O programa é transmitido pela Rádio Rural de Santarém, emissora da Diocese local. O “Para Ouvir e Aprender” leva e traz, nas ondas do rádio, as vozes de meninas, meninos, professores, professoras, pais, especialistas, gestores públicos, etc. Vozes muitas vezes esquecidas nas regiões de difícil acesso, como nas regiões ribeirinhas, nas várzeas e nos planaltos, lugares onde só se chegam pelos rios Amazonas, Tapajós ou Arapiuns. Lugares para os quais se levam horas e até dias para chegar. Lugares onde só o rádio consegue quebrar a barreira da distância, do isolamento e do desconhecido.

São vozes que falam da escola, da comunidade, do bairro, da cidade, da educação, do dia-a-dia, de sonhos, de esperanças, do futuro e de cidadania. Seja através das cartas, entrevistas, debates, músicas, poesias, lendas e das radionovelas, as crianças e os adolescentes participam do mundo da comunicação como protagonistas da sua própria realidade.

Outra ação desenvolvida pelo programa é a implantação de rádios internas nas escolas atendidas pelo projeto. As escolas recebem equipamentos para montagem de um sistema de som, através do qual é desenvolvida a experiência de rádio na escola. Professores e alunos recebem orientações para a produção de programas de rádio na própria escola. A iniciativa começou ano passado e está sendo ampliada.

Três dias por semana a voz da professora, cede espaço para o rádio, que durante 30 minutos traz a educação por meio do programa “Para ouvir e Aprender”. Atentos, os alunos prestam atenção nas informações repassadas pelos locutores. O conteúdo aborda questões, por exemplo, sobre não jogar lixo no chão para não prejudicar a cidade. “Quando eu era pequena eu ouvia o rádio pela educação e aprendi muitas coisas”, explica Daiana Batista, 9 anos, uma das ouvintes do programa.

Para os professores o projeto é um grande parceiro na formação dos meninos e meninas: “É um poderoso aliado numa sociedade que, hoje, é muito influenciada pela mídia. A escola acaba sendo um pouco desinteressante em alguns pontos, mas o Rádio pela Educação traz a cidadania para dentro da sala de aula com temas relevantes como a humanização, os cuidados com o meio ambiente, isso é muito válido”, afirma a professora Emilse Diniz.

 

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